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sábado, 25 de setembro de 2010

SOBRE A MESA UM CORPO FATIADO

Ontem já era tarde da noite, quase madrugada, quando pensei neste plano e descreverei agora como irei concretizá-lo. Combinarei com o maluco pelo telefone para não dar goela. Não haverá ninguém em casa, só eu e o cachorro, mas pedirei para não avisar isso a ela, para que venha tranqüila, achando que vai conhecer minha família. Mal sabe ela o que farei quando chegar.

Tive uma noite toda para pensar e decidi não ser mal educado, agressivo, e não me demonstrar faminto, nem ansioso por vê-la, pois durante a noite toda foi nisto que pensei. Quando ela chegar serei oposto, pois agora não sei se sou romântico, mas tenho sentimentos e quero vivenciá-los cada um no seu momento, com intensidade, e o sentimento de tê-la sozinha comigo em casa é de felicidade, junto à tranqüilidade de podermos ficar à vontade na sala, no quarto, na cozinha e me lambuzar sem ninguém atrapalhar.

Uma buzina tocou. O cara que faz parte do esquema, agora meu cúmplice, chegou. Eu não o conheço muito bem, mas ele fez o combinado, a trouxe na garupa.
Para não visualizar minha ansiedade, fiz cara de surpreso. Abri o cadeado do portão e , ao me aproximar dela, já senti seu cheiro, que me despertou um grande desejo, mas me contive.

Peguei-a pela mão e a direcionei ao sofá existente na sala, pedindo, assim que me esperasse.
Hora do acerto com o cúmplice, ele fez sua parte trazendo a gostosa para casa na garupa da moto, agora é minha vez.
Voltando ao portão saquei do bolso a quantia já estipulada e lhe entreguei o dinheiro. Ele, por sua vez, subiu na moto e antes de desaparecer me desejou bom apetite, com ar sarcástico.
Pensei comigo: “Qual é a desse cara ? Só porque estou sozinho em casa e recebi a visita dela, ele já pensa em maldade ?”
Alguns caras espalham por aí que ela é muito gostosa, é só ter dinheiro na mão e dar um telefonema, ela aparece. Eu não dei atenção a esses comentários idiotas, mas confesso que já havia planejado tudo que estava acontecendo.
Adentrei a casa e lá estava ela, cheirosa, linda, como da última vez que a vi. Coloquei minha mão sobre ela e pude sentir sua temperatura, um grande calor exalou de seu corpo nessa minha investida. Como já havia dito, farei com carinho, com calma, para que estes sejam momentos gostosos e inesquecíveis.
Eu a deixei perto da mesa da cozinha e pedi que esperasse. Liguei um som maneiro no quarto; Alicia Keys, e ela ficou ouvindo. Disse a ela que iria tomar banho e que não se preocupasse com o cachorro, pois a porta do banheiro estava aberta e eu a protegeria.
Eu tentei esperar, mas não foi possível. Minha toalha caiu, aqueles pensamentos insanos da noite anterior de me lambuzar com ela, de comê-la com vontade em todos os cantos da casa até me acabar vieram à tona enquanto abaixei para pegar a toalha.
Ao me levantar passei a mão na faca que estava na pia e sem hesitar, introduzi a lâmina em seu corpo. Depois desta estocada, o que senti foi puro êxtase. Sensação indescritível, deliciosa, foi de sentir seu corpo quente, ainda suado, quase molhado, totalmente fatiado por aquela faca que ainda pingava, escorria. Pude então abrir a geladeira, pegar alguns cubos de gelo, por em um copo com Coca-Cola e com toda naturalidade do mundo, sentei no sofá, liguei o DVD com o filme“ Face da Morte”, um documento sobre autópsias, e assim saborear sem ninguém para atrapalhar aquela deliciosa, gostosa e quentinha pizza com catupiry.

Cákis
Kkis1@hotmail.com

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Aí pessoal
dia 15/09 será nosso primeiro sarau na quebrada
todos estão convidados
Literaturanossa na área mostrando a nossa cara.
PAZ PRA TODOS

terça-feira, 21 de setembro de 2010

VULNERABILIDADE, situação de risco

Pensamentos que ficam no subconsciente, sem pressa esperam por uma brecha e através de uma pequena fresta se concretizam.
Assim aconteceu com Roberto que se tornou vulnerável em uma situação de risco.


Segunda-feira, a tarde. Rua São João, centro de São Paulo.
Roberto passa em frente ao cinema e vê. Entrada R$7,00, 3 filmes, aberto 24 horas.
Ao lado, cartazes anunciam cabines R$3,50 por 30minutos “ENTRE E SE DIVIRTA” em letras luminosas e grandes.
Da calçada Roberto se aproxima da bilheteria das cabines, olha para dentro na curiosidade mas como nada vê volta.
Na portaria do cinema pode ver quais os filmes estavam em cartaz. Batendo as Bolas sala1, Fuck my Ass sala 2 e Desejo Incontrolável sala 3.
Comprou um bilhete e entrou. Nos corredores havia pessoas encostadas nas paredes, próximas do banheiro e também das saídas. O cheiro de sexo exalava no ar.
_ Tudo bem ? alguém disse.
_ Tudo bem; respondeu sem saber para quem.
Devagar, a aproximação foi se fazendo. Olhava para Roberto e se achegava.
Na dúvida, Roberto colocou o pau pra fora da calça e então descobriu o motivo daquela aproximação.
Enquanto assistia ao filme de pé que passava no telão, sentiu a mão desconhecida apalpando seu pau.
Roberto sentiu que tinha peitos e deixou que lhe batesse uma punheta.
_ Ai, que gostoso, hummm, delícia.
Roberto ficava em silêncio.
_ Que pinto grande.
_ você gostou?
_ gostei muito. Mas é grande.
_ É gostoso?
_ É uma delícia. Você deve ser um comedor. Fode com todas.
_ Não to solteiro.
_ Você quer me comer?
_ Só com camisa.Você tem aí ?
_Tenho. Eu coloco ou você coloca?
_ Dá aí. O que ta fazendo?
_ Passando creme, senão eu não agüento esse pintão.
_ Ai. Você goza rápido ? Porque gosto que mete bastante.
Eu não gozo rápido. Meto bastante.
Então tá. Aiiiii. Gostoso. Devagarinho.
Entrou ? Tá dentro ?
Aaaiii. Ta na portinha. Põe devagar.AAAiiii,entrou.Devagar seu puto.
— Roberto se empolga com a transa , se dispõe a gozar quando é interrompido.
— O que foi?
—A camisinha saiu de novo. Seu pau é muito grande.
—Ta legal , não quero mais.
— Só na portinha ?
— Não, chega.
— Minha bunda é limpinha viu. Você gostou dela?
— Gostei mas chega, não quero mais.
Na escuridão do cinema Roberto decidiu sair andando. Foi ao banheiro e lá rolava umas transas e alguns se chupavam, saiu e foi embora sem saber se comeu um homem ou uma mulher.
Já na rua ficou pensando no que fez.
Roberto caminhava na calçada pelo centro da cidade com a cabeça atormentada. Dst´s, Sida e o pior, a recaída, a desvalorização de seu corpo entregue à uma pessoa desconhecida.
— Como pude fazer isso? Enfiar meu pau num buraco qualquer; se perguntava.
Logo no dia seguinte foi ao posto de saúde fazer exames. Teve muita coragem, pois não tinha o que fazer, não conseguiria contar isso a ninguém e só se aliviaria mediante o resultado.
Fez a coleta de sangue, submeteu- se a entrevista e esperou aproximadamente um mês.
Descobriu que tinha hepatite, e lhe foi agendado um tratamento no hospital com infectologista. Ainda bem pois enquanto era entrevistado Roberto lia um folder em que estava escrito que hepatite c pode matar se não for tratada e já como estava aguardando seu tratamento se sentiu aliviado, pois desconfiava que sua relação fora com um traveco e ao afirmar isso na entrevista lhe pediram mais um tempo para que a janela que fica aberta não tenha dado entrada à contaminação do vírus HIV, termos médicos que não entendeu na hora mas perguntou o que seria isso pois a preocupação era grande e não sairia de lá sem respostas que o tranquilizasse. E foi isso que aconteceu. Hoje Roberto sente-se aliviado pelo resultado negativo, mas não se esquece do dia em que se tornou vulnerável em uma situação de risco.

PRAZER IMEDIATO

_Que delícia.
Eu sempre senti uma forte atração por ela.
Ela ficava lá na esquina.
Sempre a disposição de quem quisesse comê-la.
Para poder levá-la, tinha que falar com um velho respeitado por todos da
região chamado Santista, ou com sua mulher conhecida por Dona Lúcia.
Esses dois eram quem administravam, gerenciavam e movimentavam o dinheiro que as delícias da esquina geravam ,que diariamente não era pouco.
Alguns conhecidos,já saíram com elas e me disseram que são realmente gostosas.
Sendo assim o desejo de tê-las todo dia resultaria em um vício.E muitos já estavam viciados.
Antes da escola passavam, na esquina e depois de saírem com elas, nem conseguiam estudar pela satisfação de tê-las comido.E na saída da escola eu os via de novo, falando com o Santista ou Dona Lúcia.
Alguns imploravam, diziam que pagariam no outro dia, mas sem dinheiro Santista falava que as suas delícias não sairiam com ninguém.Nada feito é o que dizia.
Eu não estava disposto a pagar por aquele prazer imediato, mas a vontade que sentia era maior.
Não me importei que todos a tinham comido, eu estava tão ansioso e carente de prazer que decidi fazer a minha vontade e comê-la também.
Tomei então um banho gostoso. Passei perfume, peguei a grana que tinha guardado e fui conversar com o Santista.
Chegando lá, eu disse:
¬¬_E aí Santista.
_O que é que vai?
_Santista eu tenho aqui R$20,00.
_Legal.O negócio só é feito com dinheiro.Não faça como aqueles nóias que ficam implorando pra sair com minhas delícias.Ontem pensei seriamente em dar um jeito neles.Mas deixa pra lá.Entra aqui
e escolhe filho.Qual vai ser?
Assustado eu disse:
_Falou Santista...Eu quero a cajuzinho e a moranguinho.
Elas tinham fama de ser bem gostosas e quis as duas pois já estava de olho nelas desde quando essas novidades apareceram na esquina.
_Vai aguentá com as duas muleque?
_Vou sim.Já passei na farmácia e peguei uns comprimidos.
-Falou,então se divirta.Cuidado para não se lambuzar.
_Que papo é esse de se lambuzar. Tá tudo bem,Santista. Eu tô preparado,
tenho camisa na mochila para não chegar sujo em casa.
_Muleque,só falei isso porque me lembrei de seu pai,que antes de se casar com sua mãe,comia todos os dias minhas delícias.Depois que casou passou a comê-las só nos finais de semana escondido, aí um dia sua mãe veio aqui reclamar para minha mulher que ele não comia mais em casa, só se lambuzava com minhas delícias, ficaram um tempão na cozinha falando,discutindo até que imperou o silêncio e passei a ouvir risadas,que vinha de lá.
Foi então que minha esposa Lúcia me chamou apresentando-me à sua mãe e dizendo o motivo que a trouxe em nossa casa.
_Você não vai acreditar muleque.
_Conta aí Santista, o que minha mãe veio fazer aqui com vocês?
Sua mãe queria que eu a ensinasse a fazer gostoso.
_O que?Qual é a sua cara?

_Calma muleque ,é que as mulheres conversam sobre isso e a minha disse que cada dia faço mais gostoso então sua mãe ficou curiosa e pediu a minha mulher licença para provar da delícia do seu marido que sou eu.Lúcia vendo a carência de sua mãe e a irritação aflorada pela falta de satisfação e prazer acabou me liberando e enquanto foi para o bar administrar nosso comércio, fiquei ali na cozinha ensinando sua mãe a fazer gostoso.
_Pó cara, qual é a sua Santista? Perdeu o respeito cara?
_Não muleque ,essa é a real. Tá tudo bem agora na sua casa porque seu pai não sai mais para comer na rua, eu ensinei sua mãe a fazer gostoso, as vezes ela passa por aqui para me agradecer e mostrar como vem fazendo para prender seu marido em casa,que é o seu pai.
_Você é folgado hein Santista.Vou quebrar toda essa porra desse bar e contar para o meu pai essas idéias.
_Não precisa muleque,seu pai já sabe.
Por isso às vezes, abaixo as portas quando sua mãe chega. Eu, ela e Lúcia vamos para cozinha e ali mesmo em cima da mesa passamos a inventar e trocar receitas, essas que faz com que seu pai viva em harmonia com sua mãe. Agora se satisfazendo em casa e não tendo mais que comer na rua.

ATIREM NOS SUSPEITOS

ATIREM NOS SUSPEITOS


A rua foi fechada.O quarteirão estava todo cercado.
Eram várias as viaturas que estavam no local: Rocam,
Rota, Deic, Garra e resgate dos Bombeiros todos de
prontidão.
No local da ocorrência não se tinha informações sobre
o que acontecia, porém cá fora o clima de tensão pairava
no ar.
Policiais armados suavam frio, todos com o dedo no
gatilho; quem era o alvo ainda não sabiam.
O local era uma joalheria.
Através de negociações por telefone os policiais
souberam se tratar de um assalto onde três ladrões
fizeram sete pessoas reféns.
Todos estavam trancados no banheiro e por isso a
polícia não via ninguém. Já haviam se passado cinco
horas e começaram as exigências.
_A gente vai sair daqui tudo junto,na moral; disse uma
voz lá de dentro.
Do lado de fora não se podia ver as pessoas,só ouvir as vozes.
O tempo estava passando, eles disseram que sairiam com a mão para cima e isso não aconteceu.
De repente uma voz anuncia;
_Estamos saindo. Uma porta no fundo da joalheria se abre e começam a sair.
Os snipers estão à postos para derrubar o inimigo, basta uma ordem de comando. Quando saíam da joalheria os que estavam na frente com as mãos levantadas, viram a quantidade de policiais que os aguardavam e decidiram voltar.
Os policiais vendo que desistiram de se entregar esperavam a ordem que veio primeiro aos snipers e dois disparos foram feitos e dois corpos foram ao chão.
A polícia agiu muito rápido, jogando bomba de gás lacrimogêneo no local e invadindo em seguida.
Lá dentro dois corpos no chão e mais disparos foram feitos.
Aqueles corpos que foram alvejados agora caídos no chão ensangüentados em meio a fumaça de gás gemiam e pediam socorro aos seus algozes policiais que os chutavam e mesmo agonizando foram algemados.
No meio da fumaça sete pessoas são resgatadas e três corpos ficam algemados, ensangüentados e agonizando no chão da joalheria.
Todos os outros foram levados para a ambulância e no meio do tumulto três dos resgatados saíram da mesma a pé. Roubaram um carro e sumiram ninguém mais viu.
Voltando à joalheria na identificação dos corpos que lá ficaram no chão algemados, ensangüentados, agonizando pedindo socorro agora em silêncio por estarem sem vida, descobriram ser um casal e uma vendedora, todos negros.
Os policiais disseram que, por não saberem quem eram os assaltantes suspeitaram do casal, pois o homem trajava bermuda, boné e tênis, a mulher mini saia e sandália e a vendedora uma linda mulher negra, disseram achar ser comparsa do casal.
As testemunhas que foram socorridas relataram que os assaltantes trajavam paletós e gravatas, os três tinham a pele clara, olhos azuis outro verde e aparentavam a idade aproximada de vinte e cinco a trinta anos.
Apesar de frustrado o assalto à joalheria, saíram todos
ilesos e prontos para outra em qualquer lugar, pois as características que possuem sabem que na sociedade racista não seriam culpados nem condenados tão pouco suspeitos.

Minha escrita

Escrevo por que preciso, necessito me expressar
não busco aprovação nem aceitação dos algozes
minhas palavras são tapas na cara
não são fábulas nem contos de fada

Hoje protagonizo a minha História
Não sou mais coadjuvante do filme de terror que me deram pra atuar
vítima do sistema escravocrata cristão
Quebrei as correntes do escravismo químico

Não sou exemplo pra ninguém, mas sim lição de vida
me orgulho de quem sou pois dei a volta por cima

Pra mim não existe sucesso e sim superação
Pra mim não existe fama e sim conquista
Vivo um dia de cada vez, Só por hoje
conquistando meu espaço
através do que sou, mostrando o que faço.

PAZ PRA NÓS

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ELLEN OLÉRIA - TESTANDO

CARTA A MÃE AFRICA

INTOLERÂNCIA

Quando eu a vi, me senti atraído, que coisa linda.
A pele dela era tão bonita, era igual a minha.
Seus cabelos naturalmente cacheados chegavam à altura do ombro,
Sua boca carnuda, seu nariz redondo, seu corpo desenvolvido, que delícia, ela era maravilhosa.
Estava ali em seus traços bem definidos a personificação da África que eu tanto procurava.
Eu vi em seus olhos, lindas crianças que poderiam ser resultados da nossa união, só na imaginação.
Chamei-a para sair e me disse não, isso não me fez desistir até que veio a grande decepção, ruindo meu castelo e levando-o ao chão.
Inacreditável! Aquela princesa, linda mulher negra começou a me xingar de macaco, dizendo pra eu olhar no espelho e se continuasse a importuná-la chamaria seus amigos pra me linchar.
Olhei ao seu redor para ver quem ela chamava de amigos e não gostei do que vi, porque eram cinco filhos de papai racistas, velhos conhecidos de brigas de escola motivados pela intolerância racial.
Eles me viram sendo ofendido por àquela linda mulher que escolhi pra ser a mãe dos meus filhos, alguns empinaram o nariz outros riram eu então dei as costas e saí.
Passado um mês voltei àquela galeria e quando entrei fui direto ao box 14(informática e games) e por não tê-la visto perguntei ao cara que lá trabalha;
_ Cadê a princesa que trabalha aqui do lado?
_Qual aquela que te deu um esculacho?
_ É.
_ Ela morreu, já faz uns dias. Foi desovada no lixão com sinais de estupro e enforcamento, ao lado do corpo foi encontrado várias cápsulas de cocaína. Eu sei que ela não usava drogas, mas começou a colar com uns caras errados.
_Que caras?
_Olha, eu não sou dedo duro, mas por você ser uma pessoa legal e eu ter perdido uma colega de trabalho vou te falar.
Aquelas caras que estavam com ela aquele dia vendem drogas nas escolas no shopping e aqui na galeria também.
Não são traficantes, são filhos de papai que com o poder ilusório do branco escravizam crianças, adolescentes depois as deixam morrer.
Aquela linda mulher negra que poderia ser mãe dos meus filhos, me abandonou, se iludiu com o branco se tornou vítima do opressor.
Meu primeiro filho não nasceu, nem o segundo nem o terceiro, ficaram só na imaginação resultante da primeira vez que a vi.
Pensei em matar àqueles boys por terem acabado com meu sonho, mas esse jeito não seria o certo.
Algumas vezes fui ao shopping e trombei com eles.
No portão da escola também estavam lá, viciando crianças e adolescentes, então montei uma vigília e resolvi denunciar.
Foram presos em flagrante, mas como sabia que não ficariam por muito tempo, agi rápido mandando um papagaio pros malucos do x dizendo toda a parada que estava acontecendo aqui fora; molecada viciada só pele e osso que não freqüentava mais a escola, meninas se prostituindo e virando mães solteiras adolescentes e falei das mortes e descaminhos da ilusão provocados pelo poder branco e a cultura do embranquecimento, manifestação mais sutil e cruel de racismo, que fora adotado
e implantado nesse país sem identidade onde o opressor é invisível.
Quando a população prisional soube disso bastou, porque todos têm família e respeitam mães, filhos e filhas. O veneno seria a recepção dos boys.
Soube depois, que no mesmo dia todos os cinco boys foram liberados.
Mas não durou muito tempo, escaparam de morrer na cadeia pelo seguro, mas na rua em breve seriam finados.
O inevitável aconteceu. O que o ser humano é capaz de fazer você nem acredita.
Visivelmente foram mortos com requintes de crueldade.
Seus corpos quando encontrados tinham uma aparência bizarra, nenhum foi alvejado por arma de fogo e nenhum estava inteiro.
Alguns foram degolados outros decapitados.Com o tronco separado da cabeça estavam sem olhos e sem orelhas.
Seus pênis foram cortados e enfiado em suas próprias bocas.
No ânus de cada um foram socadas várias cápsulas de cocaína que fizeram um grande estrago com ajuda de um cabo de vassoura que foi enterrado a marteladas até a metade.
Disseram não ter sido fácil achar as pernas e braços já que foram esquartejados.
A polícia pressionada pela família queria a punição dos autores mas foi em vão, porque mesmo botando terror e apavorando a população tiveram que arquivar o caso; ninguém sabe e ninguém viu nada.
E assim a resistência permanece lutando contra o poder branco.
As marcas do passado não se apagam, as feridas não cicatrizam, sou vítima de um crime hediondo que até hoje perturba a mente, não superei esse trauma e nem quero superá-lo.
Carrego comigo a revolta no meu subconsciente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

a dupla, nos acordes

soltando o verbo

lá adiante eu vi o Kiriku

NÃO TEMOS MUITO TEMPO

NÃO TEMOS MUITO TEMPO

As crianças estão na rua e estão morrendo.
Longe da escola...Nas esquinas fumam pedra,
em praças públicas cheiram cola.
Sem perspectiva, sem auto estima, a vida
Assim se esvai.
Mas através da escrita podemos mudar isso.

Podemos semear gente pra colher humanidade.
Podemos escrever a verdade.
Podemos retratar a verdade.
Podemos resgatar valores,tradições e ensinar as
crianças a se orgulharem de quem são.
Podemos assim juntos aceitar a nossa identidade.

POR ISSO NÃO TEMOS MUITO TEMPO

As crianças que morrem nas ruas são negras.
Escravas do poder branco.
A cultura do embranquecimento, continua fazendo vítimas.
E através da escrita a resistência conscientiza.

Retratar a periferia, falar do seu dia a dia.
Não um dia sofrido, mas sim um dia batalhado,
Conquistado com dignidade pelos moradores
Guerreiros da quebrada.

POR ISSO NÃO TEMOS MUITO TEMPO
A periferia está invadindo o centro.
Ouvir estórias da senzala, depois da roda de capoeira.
Apresentar um teatro ou ler poesia no sarau da periferia.
Também tem hip hop e roda de samba,
Onde não tem comédia, todo mundo é bamba.
Fazer parte da comunidade.
É tudo nosso e sempre foi.
Com conceito e consciência.
Tomaremos o que é nosso por direito.

POR ISSO NÃO TEMOS MUITO TEMPO
As crianças estão nas ruas e estão morrendo.

cákis
kkis1@hotmail.com
http://www.literaturanobrasil.com.blogspot.com/

AS CRIANCAS SÃO O FUTURO, POR ISSO NÃO TEMOS MUITO TEMPO

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA. JÁ FUI ABDUZIDO

CONTANDO SUA HISTÓRIA NA SEDE / FRANCIS

CASA CHEIA

MANO FUURAAAAANCIS NA MULTIDÃO

O SARAU DOS MOSQUETEIROS

A CARAVANA

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu tô com a sida e daí?

Tem muita gente que não fala mais comigo.

Conhecidos que passaram a me evitar.
Isso porque descobriram que peguei a Cida.
É , e daí, tô com ela sim.
Muitos falam pelas minhas costas, que tô fudido,
Que minha vida já era. Fico triste.
Mas sinceramente. Nunca me senti tão vivo.
Tive um passado promíscuo.
Toda e qualquer droga era bem vinda.
Tomava baque na veia. Transava sem camisinha.
Deus me livrou de tiroteios e chacinas.
Cansei-me das orgias e drogas.
E saí ileso do submundo.
Tudo estava bem até semana passada.
Quando cortei minha mão no vidro
E fui ao hospital tomar uns pontos.
E foi lá,... no hospital que fui infectado.
Condenado a viver com a sida
Como companheira o resto da minha vida.
Hoje, vivo com quem não gosto.
Mas tenho que me adaptar
Não dá pra ser infiel, não dá pra trair.
Não vou me suicidar,
Nem vou sair por aí contaminando ninguém
O que quero é continuar vivendo. Escrevendo
E lentamente morrendo.

Cákis
Kkis1@hotmail.com
www.literaturanobrasil.blogspot.com

O PAPEL DE UM CONTO

1° CENA


1_ Eu preciso de um papel véio,
2_ Pô mano você falou que parou, agora vem com essa conversa
1_ Preciso de um papel véio e uma caneta
2_Caneta mano , quer cheirar na caneta memo. ta bom quantos papel vai querer ?
1_ Preciso de mais de um
2_ Porra véio você ta querendo morrer, eu to com uma da boa é pura, um papel basta
1_ Preciso mais de um, várias idéias surgiram na mente, vou sair fora
2_ E aí véio qual que é , você não vai querer uns papel
1_Vou pra casa véio. Várias idéias surgiram na mente .Vou escrever um conto no meu caderno.
2_Conto véio, papel de um conto não tem não, só de dez
1_Esses eu não uso mais.

Uma outra perspectiva

Durante muito tempo, Roberto foi vítima do poder destrutivo da droga. Começou com a inversão de valores: o que era bom e certo não prestava e nem tinha graça, o que despertava o interesse era o errado, o podre o proibido.
Era divertido. Ria de tudo e de todos.Trabalhava, estudava, tinha sonhos.
Com o passar do tempo seus planos foram ficando para depois, seus objetivos já não se concretizavam e dos sonhos ele se esqueceu.
Conheceu a branca e se envolveu profundamente com ela.
A relação se tornou um paradoxo de prazer e dor porque o que sentia era obsessão na veia.
Com a branca, Roberto já não tinha mais vida, seus sentimentos foram anestesiados e a decadência se tornara progressiva. Por estar na negação não enxergava, achando que tinha o controle da situação e que poderia deixá-la quando quisesse.
Grande engano.
Roberto já não mais aguentava aquela relação. O prazer que sentia virou sofrimento e decidiu então se separar. Foi difícil, foi sofrido mas não foi impossível.
Pediu ajuda à família ''o pior cego é aquele que não quer ver'' decidiu ele mesmo se internar.
Durante esse afastamento da sociedade teve muito tempo para refletir o que faria de sua vida quando voltasse para a casa, as opções eram duas: novamente se juntar a branca e destruir sua vida ou fazer diferente, nunca mais se envolver com ela. Assim Roberto decidiu e se afastou da branca e suas amigas.Quando retornou à casa de sua mãe Roberto estava diferente disposto a viver de outra maneira agora com compromisso e princípios espirituais aplicados em sua vida.

Durante uma semana aproximadamente Roberto ficou só em casa não queria sair, talvez para não encontrar os caras na esquina que ficariam falando da loira, da branca da maryjane, todas aquelas que ele já se envolveu numa relação suicida e que quase arruinaram sua vida.
Certo dia Roberto, encontrou um cara que era seu vizinho, moravam na mesma rua mas nunca conversaram, por isso nem sabia seu nome. Ele tinha uma loja e quando viu Roberto disse que soube da sua decisão através de sua mãe e ficou contente em poder vê-lo.
Conversaram um pouco até que recebeu um convite para ir a uma reunião de adictos. Roberto nem sabia o que era isso mas resolveu aceitar o convite já que veio com o atrativo de que poderia encontrar uma nova maneira de viver sem drogas e foi isso que lhe chamou a atenção.
Quando chegou na sala encontrou pessoas reunidas que falavam de suas vidas, eram depoimentos que se igualavam ao seu cotidiano de vida ativa: miséria, sofrimento e dor. Mas o que lhe fez voltar foi ouvir as coisas boas, positivas e muito legais que alguns caras disseram na sala, enfatizando suas conquistas graças a irmandade a qual faziam parte.
Decidiu continuar voltando e na segunda reunião demonstrou a todos o desejo de também se tornar um membro daquela irmandade chamada N.A.
Daquele dia em diante a vida de Roberto realmente começou a mudar pois se sentiu feliz em encontrar pessoas iguais a ele, que estavam cansadas de usar drogas e se reuniam para ajudar umas as outras a não mais usar, mantendo-se limpas enfrentando o mundo e vivendo a vida de uma nova maneira.Tudo o que ele queria.Uma nova perspectiva
Roberto passou a frequentar todas as reuniões de NA da cidade e também de outras cidades conseguindo assim criar um leque de amizades inimaginável o que foi muito bom para ele, mesmo não sendo essa sua intenção mas que naturalmente aconteceram.
Tudo o que a irmandade oferecia aos membros era a liberdade da adicção ativa e conseqüência disso viria uma vida de qualidade em todas as áreas e isso com o tempo foi se comprovando.
Roberto passou a sentir um prazer,uma felicidade indescritível por fazer parte daquela irmandade onde através de um programa de princípios espirituais pudesse se conhecer e aproveitar a oportunidade de viver bem e através de um contato com Deus, um Poder Superior de sua compreensão e adquirir uma paz interior.
Conheceu grupos de serviço formado não por profissionais mas pelos próprios membros para ajudar outros adictos que sofriam sem esperança de um dia conseguir parar de usar e passou a fazer parte pois sentiu que aquela felicidade tinha de ser compartilhada com todos que na ilusão da droga se destruíam.
Fez parte também de alguns encargos de grupo e foi chamado diversas vezes para apadrinhar os recém chegados. É assim que funciona.
Roberto agora é um cara feliz, agradece os dias por estar vivo e por ter encontrado essa irmandade que o ensina a lidar com a vida através de princípios espirituais.

CHEGOU MINHA VEZ, SATISFAÇÃO

Chegou minha vez é uma grande satisfação

Não tem idéia de como pra mim isso é bom
Verbalizar minha vida, colocar tudo na escrita
Literatura me dá auto estima, vem salvando a minha vida.
No passado coadjuvante de uma história
Com cenário obscuro, sem futuro e perspectiva
Filme de terror onde a morte não é fictícia
Camaradas tombaram outros estão guardados
Na rua a decadência continua e pode ser vista
E eu aqui com vocês agradeço outra vez
A oportunidade de poder lançar o verbo
Quebrei as correntes do escravismo químico
Faço parte da resistência com consciência
Não espero inspiração, porque não temos muito tempo
Olhar crítico e sensibilidade é o que preciso
Sei que toco na ferida quando falo dos vencidos
Dos excluídos, das crianças invisíveis
Expresso meus sentimentos com compaixão
Não busco aprovação, aceitação,identificação,
Tamu junto fortalecendo o quilombo / A vida sem drogas ta bem da hora
Sinto um alivio quando vejo o mudo lá fora
É bem difícil mas saí, reverti o quadro de miséria
Sem perspectiva. É sem futuro essa vida
Comunidade terapêutica, cadeia e continua o ainda
Aceitação e o compromisso com a vida,Meu barato é dar risada de cara limpa.
Dar um pouco de esperança pra quem não acredita.
Que existe 1 nova maneira de viver. Não preciso ser igual. Nada de social
Sei que agora sou um cara especial.
Não um marginal, safado como a sociedade nos tacha
Temos que ser tratados e não encarcerados não caia na farsa da descriminalização
Isso é coisa de playboy de burguês que compra droga depois vai fazer debate lá na faculdade
Se forem pegos vão internados e você pra prisão. Eles são doentes e você é ladrão então
A situação é bem visível o crack ta matando toda a geração da nação
Ta preocupado com 2012 se fumou crack hoje não vai chegar até lá
As coisas simples da vida. Me traz uma perspectiva. Uma visão que não tinha ,que não sabia
Fui no fundo do poço sei que dei muito desgosto
Pras pessoas que realmente gostavam de mim
Não aprende pelo amor, aprende pela dor
Depois não adianta bancar o sofredor

A VIDA SEM DROGAS TA BEM DA HORA
SINTO UM GRANDE ALIVIO QUANDO VEJO O MUNDO LA FORA
ACEITAÇÃO E O COMPROMISSO C/ A VIDA
MEU BARATO É DAR RISADA DE CARA LIMPA

Eu sou o cakis continua...