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terça-feira, 21 de setembro de 2010

PRAZER IMEDIATO

_Que delícia.
Eu sempre senti uma forte atração por ela.
Ela ficava lá na esquina.
Sempre a disposição de quem quisesse comê-la.
Para poder levá-la, tinha que falar com um velho respeitado por todos da
região chamado Santista, ou com sua mulher conhecida por Dona Lúcia.
Esses dois eram quem administravam, gerenciavam e movimentavam o dinheiro que as delícias da esquina geravam ,que diariamente não era pouco.
Alguns conhecidos,já saíram com elas e me disseram que são realmente gostosas.
Sendo assim o desejo de tê-las todo dia resultaria em um vício.E muitos já estavam viciados.
Antes da escola passavam, na esquina e depois de saírem com elas, nem conseguiam estudar pela satisfação de tê-las comido.E na saída da escola eu os via de novo, falando com o Santista ou Dona Lúcia.
Alguns imploravam, diziam que pagariam no outro dia, mas sem dinheiro Santista falava que as suas delícias não sairiam com ninguém.Nada feito é o que dizia.
Eu não estava disposto a pagar por aquele prazer imediato, mas a vontade que sentia era maior.
Não me importei que todos a tinham comido, eu estava tão ansioso e carente de prazer que decidi fazer a minha vontade e comê-la também.
Tomei então um banho gostoso. Passei perfume, peguei a grana que tinha guardado e fui conversar com o Santista.
Chegando lá, eu disse:
¬¬_E aí Santista.
_O que é que vai?
_Santista eu tenho aqui R$20,00.
_Legal.O negócio só é feito com dinheiro.Não faça como aqueles nóias que ficam implorando pra sair com minhas delícias.Ontem pensei seriamente em dar um jeito neles.Mas deixa pra lá.Entra aqui
e escolhe filho.Qual vai ser?
Assustado eu disse:
_Falou Santista...Eu quero a cajuzinho e a moranguinho.
Elas tinham fama de ser bem gostosas e quis as duas pois já estava de olho nelas desde quando essas novidades apareceram na esquina.
_Vai aguentá com as duas muleque?
_Vou sim.Já passei na farmácia e peguei uns comprimidos.
-Falou,então se divirta.Cuidado para não se lambuzar.
_Que papo é esse de se lambuzar. Tá tudo bem,Santista. Eu tô preparado,
tenho camisa na mochila para não chegar sujo em casa.
_Muleque,só falei isso porque me lembrei de seu pai,que antes de se casar com sua mãe,comia todos os dias minhas delícias.Depois que casou passou a comê-las só nos finais de semana escondido, aí um dia sua mãe veio aqui reclamar para minha mulher que ele não comia mais em casa, só se lambuzava com minhas delícias, ficaram um tempão na cozinha falando,discutindo até que imperou o silêncio e passei a ouvir risadas,que vinha de lá.
Foi então que minha esposa Lúcia me chamou apresentando-me à sua mãe e dizendo o motivo que a trouxe em nossa casa.
_Você não vai acreditar muleque.
_Conta aí Santista, o que minha mãe veio fazer aqui com vocês?
Sua mãe queria que eu a ensinasse a fazer gostoso.
_O que?Qual é a sua cara?

_Calma muleque ,é que as mulheres conversam sobre isso e a minha disse que cada dia faço mais gostoso então sua mãe ficou curiosa e pediu a minha mulher licença para provar da delícia do seu marido que sou eu.Lúcia vendo a carência de sua mãe e a irritação aflorada pela falta de satisfação e prazer acabou me liberando e enquanto foi para o bar administrar nosso comércio, fiquei ali na cozinha ensinando sua mãe a fazer gostoso.
_Pó cara, qual é a sua Santista? Perdeu o respeito cara?
_Não muleque ,essa é a real. Tá tudo bem agora na sua casa porque seu pai não sai mais para comer na rua, eu ensinei sua mãe a fazer gostoso, as vezes ela passa por aqui para me agradecer e mostrar como vem fazendo para prender seu marido em casa,que é o seu pai.
_Você é folgado hein Santista.Vou quebrar toda essa porra desse bar e contar para o meu pai essas idéias.
_Não precisa muleque,seu pai já sabe.
Por isso às vezes, abaixo as portas quando sua mãe chega. Eu, ela e Lúcia vamos para cozinha e ali mesmo em cima da mesa passamos a inventar e trocar receitas, essas que faz com que seu pai viva em harmonia com sua mãe. Agora se satisfazendo em casa e não tendo mais que comer na rua.

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