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terça-feira, 21 de setembro de 2010

VULNERABILIDADE, situação de risco

Pensamentos que ficam no subconsciente, sem pressa esperam por uma brecha e através de uma pequena fresta se concretizam.
Assim aconteceu com Roberto que se tornou vulnerável em uma situação de risco.


Segunda-feira, a tarde. Rua São João, centro de São Paulo.
Roberto passa em frente ao cinema e vê. Entrada R$7,00, 3 filmes, aberto 24 horas.
Ao lado, cartazes anunciam cabines R$3,50 por 30minutos “ENTRE E SE DIVIRTA” em letras luminosas e grandes.
Da calçada Roberto se aproxima da bilheteria das cabines, olha para dentro na curiosidade mas como nada vê volta.
Na portaria do cinema pode ver quais os filmes estavam em cartaz. Batendo as Bolas sala1, Fuck my Ass sala 2 e Desejo Incontrolável sala 3.
Comprou um bilhete e entrou. Nos corredores havia pessoas encostadas nas paredes, próximas do banheiro e também das saídas. O cheiro de sexo exalava no ar.
_ Tudo bem ? alguém disse.
_ Tudo bem; respondeu sem saber para quem.
Devagar, a aproximação foi se fazendo. Olhava para Roberto e se achegava.
Na dúvida, Roberto colocou o pau pra fora da calça e então descobriu o motivo daquela aproximação.
Enquanto assistia ao filme de pé que passava no telão, sentiu a mão desconhecida apalpando seu pau.
Roberto sentiu que tinha peitos e deixou que lhe batesse uma punheta.
_ Ai, que gostoso, hummm, delícia.
Roberto ficava em silêncio.
_ Que pinto grande.
_ você gostou?
_ gostei muito. Mas é grande.
_ É gostoso?
_ É uma delícia. Você deve ser um comedor. Fode com todas.
_ Não to solteiro.
_ Você quer me comer?
_ Só com camisa.Você tem aí ?
_Tenho. Eu coloco ou você coloca?
_ Dá aí. O que ta fazendo?
_ Passando creme, senão eu não agüento esse pintão.
_ Ai. Você goza rápido ? Porque gosto que mete bastante.
Eu não gozo rápido. Meto bastante.
Então tá. Aiiiii. Gostoso. Devagarinho.
Entrou ? Tá dentro ?
Aaaiii. Ta na portinha. Põe devagar.AAAiiii,entrou.Devagar seu puto.
— Roberto se empolga com a transa , se dispõe a gozar quando é interrompido.
— O que foi?
—A camisinha saiu de novo. Seu pau é muito grande.
—Ta legal , não quero mais.
— Só na portinha ?
— Não, chega.
— Minha bunda é limpinha viu. Você gostou dela?
— Gostei mas chega, não quero mais.
Na escuridão do cinema Roberto decidiu sair andando. Foi ao banheiro e lá rolava umas transas e alguns se chupavam, saiu e foi embora sem saber se comeu um homem ou uma mulher.
Já na rua ficou pensando no que fez.
Roberto caminhava na calçada pelo centro da cidade com a cabeça atormentada. Dst´s, Sida e o pior, a recaída, a desvalorização de seu corpo entregue à uma pessoa desconhecida.
— Como pude fazer isso? Enfiar meu pau num buraco qualquer; se perguntava.
Logo no dia seguinte foi ao posto de saúde fazer exames. Teve muita coragem, pois não tinha o que fazer, não conseguiria contar isso a ninguém e só se aliviaria mediante o resultado.
Fez a coleta de sangue, submeteu- se a entrevista e esperou aproximadamente um mês.
Descobriu que tinha hepatite, e lhe foi agendado um tratamento no hospital com infectologista. Ainda bem pois enquanto era entrevistado Roberto lia um folder em que estava escrito que hepatite c pode matar se não for tratada e já como estava aguardando seu tratamento se sentiu aliviado, pois desconfiava que sua relação fora com um traveco e ao afirmar isso na entrevista lhe pediram mais um tempo para que a janela que fica aberta não tenha dado entrada à contaminação do vírus HIV, termos médicos que não entendeu na hora mas perguntou o que seria isso pois a preocupação era grande e não sairia de lá sem respostas que o tranquilizasse. E foi isso que aconteceu. Hoje Roberto sente-se aliviado pelo resultado negativo, mas não se esquece do dia em que se tornou vulnerável em uma situação de risco.

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