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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ALMAS PENADAS

João como era conhecido sempre achou uma falta de responsabilidade,de planejamento ter vários filhos e precisar de ajuda pra criar.
Ninguém pede pra nascer.
Há pessoas que acham que ter filhos é como ter bonecos que se compram numa loja,
depois que se cansam de brincar de papai e mamãe jogam na mão de alguém pra que
possa criar.Eu acho isso um absurdo,deveria ter uma punição a essas pessoas.
João me disse que quando usava drogas via muitos vultos caminhando pela sua casa de
madrugada e não os identificava como espíritos porque achava ser uma viagem,uma alucinação.
Com a frequência dessas visões ele percebeu que eram realmente espíritos e decidiu
encará-los afinal de contas estavam invadindo sua casa e ele quando dormia no cemitério
só ocupava gavetas vazias ou mausoléus já abertos,sem práticar arrombamentos nem
perturbar sonos eternos.
Sempre respeitando os mortos nunca violou túmulo,cova ou sepultura apesar de saber do
comércio de crânios e dentes financiado pelos alunos de medicina e ortodontia.
João estava decidido a fazer contato naquela madrugada com a primeira aparição que viesse a ter.
Não estava sozinho,a ansiedade e a nóia estavam com ele.
A televisão estava ligada e passava o filme´´ESPÍRITOS“e dela vinha a única luz existente na casa.
Da janela podia ver que lá fora os cachorros uivavam e a lua cheia clareava todo o quintal,
já dentro da casa por alguns segundos teve a visão ofuscada com o choque da escuridão presente.
Enquanto assistia ao filme do seu quarto viu alguém passando no corredor.
Achou que era sua mãe, por ser a única pessoa viva em casa.
Como estava tudo escuro e não conseguiu ver resolveu perguntar.
_Mãe é a senhora que esta aí?
A resposta obtida foi o silêncio.
João levantou-se do sofá em que estava sentado deu pausa no filme e na escuridão que
imperava dentro de casa,foi atrás do vulto que viu passar.
Da porta de seu quarto observou atentamente a cozinha e não viu nada.Passou pelo banheiro,
pelo outro quarto pela sala e nada,então foi até o quarto de sua mãe e constatou que estava
em um sono profundo.
Voltou para o quarto xingando os espíritos pois ansiava um contato e eles não estavam ajudando.
João tem uma tia esquizofrênica que fala demais, inconveniente é a palavra certa.
Em uma visita a essa tia ficou sabendo de seus vários irmãos que morreram,e
seu tio ao ouvir o assunto cortou a conversa como se fosse segredo de família
que ele não pudesse saber.
João nunca falou a respeito com sua mãe,mas imaginava várias coisas e saber disso
através da tia esquizofrênica só aumentou sua criativa imaginação mórbida.
Um dia resolveu tocar no assunto e constatou ser verdade,eram nove o numero de filhos
de sua mãe que morreram naquela casa,portanto seus irmãos.Já sabia estar lidando com
uma situação delicada e por não querer presenciar lágrimas nos olhos nem ouvir justificativas
tardias dos acontecimentos familiares que só através de terceiros chegou ao seu conhecimento
deu um basta não quis saber apesar de querer.
Hoje,João é um cara chateado,por muito tempo ficou vendo fantasmas,achando ser viagem das
drogas alucinógenas e ficar sabendo dessas mortes por outros fora de sua casa o deixou muito
ressentido.
Ontem João disse ter visto uma criança várias vezes em frente à seu quarto,quado piscava
os olhos ela desaparecia.Só pra lembrar João não usa mais drogas,só por hoje, fazem três anos
que esta limpo de qualquer substância que altere sua mente ou seu humor.
João diz ter vários sobrinhos hoje morando em sua casa e apesar do desrespeito que sua mãe
sofre pela falta de educação dessas crianças ela direciona uma super proteção à eles que no início
achei ser coisa de avó,liberdade sem limites sem regras,aí me lembrei que avó é mãe duas vezes.
Vieram então várias idéias na minha mente fértil como: reencarnação,karma,etc...
João não compreende a submissão desnecessária que sua mãe passa a não ser que a oportunidade
de ser desrespeitada pelos netos a faça sentir a presença dos filhos que morreram.
Aprendi depois de largar as drogas que ninguém vive a vida do outro,se eu morresse amanhã
ficaria só na lembrança,não acredito que nasceria de novo como o filho que morreu
ao se perder no caminho.
Temos que viver intensamente a nossa vida enquanto vivos para que não atrapalhemos a vida
dos outros depois de estarmos mortos.

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